Liberdade de imprensa é tema de aula inaugural do curso de Jornalismo
por Isabella Cabral*

Rogério Christofoletti
“Precisamos enfrentar esse momento. Sozinhos, desarticulados e inertes, nós não vamos vencer os desafios que a vida nos impõe. Temos que enfrentar a realidade”, foi a palavra de motivação proferida pelo professor Rogério Christofoletti, durante a aula magna do curso de jornalismo da UFRRJ, na última terça-feira, (9/3).
A aula inaugural abordou o tema “Jornalismo, pandemia e liberdade de imprensa” e teve como palestrante o professor coordenador do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pesquisador do CNPq, e um dos líderes do Observatório da Ética Jornalística, o objETHOS.
Em todo o contexto histórico brasileiro até a crise iniciada em 2013, a sociedade nunca dependeu tanto do ofício jornalístico, avalia Christofoletti. “A crise política, econômica e sanitária instaurada revela a necessidade do jornalismo estar atrelado à democracia brasileira”, comenta o professor.
Segundo relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em 2020 foram registrados 428 ataques a veículos de comunicação e jornalistas no país; e 152 episódios de descredibilização da imprensa. O principal agressor é o presidente da República, responsável por 175 casos (40,89% do total): 145 ataques genéricos e generalizados a veículos de comunicação e a jornalistas, 26 casos de agressões verbais, um caso de ameaça direta a jornalistas, uma ameaça à TV Globo e dois ataques à Fenaj.
Chrisfoletti lembra que o conceito de Liberdade de Imprensa é de expressão específica e de prática profissional, em que os meios de comunicação necessitam de liberdade para cumprir os seus trabalhos. O direito de liberdade da classe jornalística, nesse momento, é crucial para a cidadania. “Defender o Jornalismo, que precisa da liberdade de imprensa, é necessário e urgente para satisfazer o direito das pessoas serem informadas”, afirmou.
Jornalistas na pandemia
Rogério Christofoletti fez um balanço do impacto do novo coronavírus e relatou que comunicadores se arriscam diariamente. De acordo com números da Fenaj e Press Emblem Campaign (PEC), desde o início da pandemia, até fevereiro de 2021, 94 jornalistas brasileiros foram vitimados pela Covid-19 e 602 em todo o mundo.
O professor, juntamente com seu grupo de pesquisa, é autor de livros e cartilhas voltados a profissionais da comunicação que estão na linha de frente da cobertura sobre a Covid-19: ”Guia de Cobertura Ética da Covid-19″ e “Ética Jornalística e Pandemia: entrevistas com especialistas”. O trabalho é um exemplo do compromisso de jornalistas como mediadores sociais, que conectam informações de interesse da sociedade.
Convite à reflexão
Aberto o espaço para perguntas, a troca complementou os assuntos abordados pelo pesquisador. Ao citar a cobertura da grande mídia e mídia alternativa durante a pandemia, ele propôs a busca por soluções coletivas, pois é preciso apoiar o jornalismo nessa conjuntura: consumir, compartilhar e contribuir financeiramente, mesmo com pouco.
Christofoletti também destacou a oposição entre jornalismo e a circulação de informações nas redes sociais, “fruto de uma relação econômica injusta entre eles, que ainda será muito debatida futuramente”. Ele analisa também que a desinformação propagada nas redes, embora seja enfrentada pelas agências de checagens, ainda está longe de ser solucionada.
O evento foi mediado pela professora de Jornalismo, Ivana Barreto (DLC/ICHS), e contou com a participação de professores e alunos do curso.
*Estagiária de Jornalismo na CCS/UFRRJ